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abril 21, 2024

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Ayumi Hamasaki: entrevista na revista "BiST"


A edição de junho da revista BiST – ou Be Story – chegou às livrarias no dia 17 de abril (nunca vou entender o mercado editorial japonês... Hahaha!) com três capas diferentes. Ayumi aparece em duas delas e em mais 10 páginas, que trazem uma longa entrevista e detalhes sobre os cosméticos usados por ela no dia a dia.


A edição de junho teve 3 capas diferentes, e a cantora esteve em duas delas.


Confiram a seguir a tradução deste conteúdo!


Ayumi Hamasaki: "tudo o que fiz foi para continuar sendo 'Ayu'."

O segredo da longevidade como uma diva está na humildade de nunca se esquecer do que sente pelas pessoas ao seu redor.


Desde o debut em 1998, Ayumi Hamasaki tem sido a diva eterna e sem precedentes capaz de dar voz aos sentimentos guardados no mais profundo dos nossos corações. Faz quase um ano que ela apareceu pela primeira vez na BiST, e neste meio-tempo completou sua primeira turnê pelas 47 províncias do Japão, voltando às nossas páginas ainda mais poderosa.

Nos últimos 25 anos acompanhamos a carreira de Ayu tentando imaginar como seria sua vida pessoal, e aqui, além de detalhes inéditos do cotidiano, a Ayumi "do presente" nos contou com suas próprias palavras sobre "o que já fez" e sobre "o que está por vir".


Legenda: "Quando me perguntaram como consegui manter a carreira ao longo desses 25 anos, a primeira coisa que me veio à cabeça foi a energia da equipe, que sinto todos os dias."

BiST – Faz quase um ano desde que você apareceu em nossa edição de agosto, celebrando o 25º aniversário de carreira. Agora que restam poucas cidades a serem visitadas por sua primeira turnê nas 47 províncias, a "25th Anniversary Live Tour", poderia nos dizer com franqueza as suas impressões sobre ela até aqui? (Nota: a entrevista foi realizada no final de fevereiro)

Ayumi – Talvez nós da equipe, todos os membros do staff e até o público que vai aos shows tenhamos a mesma opinião... Acho que a gente procura não pensar nessas coisas até que todos os shows sejam devidamente realizados.


Todas as atenções estão no agora, no imediato, não é? Será que é este o segredo para conseguir tanta energia ao manter uma carreira no mercado fonográfico por 25 anos, sem nenhum descanso?

A verdade é que eu nunca pensei muito sobre isso, sabe? Quando olho para trás, não me vejo com essa ânsia em trabalhar sem parar e seguir em frente a todo custo... Claro, os fãs que sempre me apoiam tiveram papel importante, mas acho que a melhor resposta para isso seria dizer "consegui continuar por causa da energia da minha equipe". Sempre senti essa força todos os dias e houve momentos em que seria injusto dizer que queria descansar quando havia um grande número de pessoas trabalhando duro. No começo eu era muito jovem, então pode ser que achasse divertido poder ir a tantos lugares diferentes na companhia do staff (risos). Mas a partir do momento em que comecei a perceber o quanto aquelas pessoas se empenhavam no que faziam, como verdadeiros profissionais, foi ficando cada vez mais complicado dizer o que fazer ou não apenas baseado nas minhas vontades.


Quando foi que você tomou consciência de que "Ayumi Hamasaki" era um projeto que envolvia tanta gente?

Quando tinha de 20 a 25 anos. Naquela vez em que shows tiveram que ser cancelados com a minha internação por perda súbita da audição(*), senti na pele a dor de cabeça que eu causaria a todo mundo se um show deixasse de ser realizado por um acidente, uma doença ou um ferimento. Então decidi que nunca mais ia me ausentar, ou melhor dizendo, que nunca mais PODIA me ausentar.

(*) Ayumi se refere aos shows de abertura do 2º Ato da primeira turnê de sua carreira, a "concert tour 2000". A ideia era realizar 32 shows entre abril e julho divididos em dois Atos, mas a cantora sentiu um mal-estar a poucos dias do encerramento do primeiro deles e exames médicos apontaram "perda súbita da audição no ouvido interno" no lado esquerdo. Mesmo assim, ela realizou o show e só então deu início ao tratamento médico (segundo Ayumi, "só tive forças para realizar o show até o fim pensando nos fãs que tinham ido até ali para me ver"). O problema é que o mal-estar retornou durante os ensaios para o segundo Ato e a internação foi inevitável. Assim, os dois primeiros shows tiveram que ser cancelados e remarcados, tornando-se o encerramento da turnê.


É incrível imaginar que você tenha tomado consciência disso com tão pouca idade!

Eu estava mais temerosa que consciente... É, talvez fosse só medo, mesmo.


Legenda: "É bom pensar em si próprio também, nem que seja um pouquinho, porque isso faz bem para a alma."

Você consegue separar a vida pessoal e o trabalho, como um botão de "liga e desliga"? Consegue relaxar em casa?

Mesmo em casa, eu procuro não ser muito relapsa. Até porque meus filhos estão me vigiando. Eles têm noção de que a mamãe faz shows e eu não quero de jeito nenhum que eles pensem que existem duas versões minhas. Como você deve imaginar, eu não uso vestido em casa (risos).


Eles já têm noção de que a mamãe deles é uma diva?

Eu já disse a eles que "o trabalho da mamãe é Ayu".


Como você faz para cuidar da beleza, tendo uma agenda tão cheia?

Hoje em dia, assim que meus filhos e eu saímos do banho, aplico creme no rosto deles e uso as sobras no meu. Antes eu tinha tempo suficiente no banho para deixar os meus calcanhares brilhando, mas hoje mal consigo passar um creme perfumado em mim mesma. O banheiro fica cheio de brinquedos e às vezes acabo pisando em cima de algum deles e gritando "ai!" (risos). Costumava gostar de banhos de espuma, mas agora sempre tem brinquedos assustadores flutuando na banheira, como gorilas e tubarões...


O banho de espuma se tornou um banho com gorilas e tubarões?

Isso mesmo! Mas ainda existe aquela vontade de cuidar de mim mesma, né? Se a gente não se cuida, acaba trazendo uma pobreza de espírito, sabe?... Acho que cuidar de si mesmo, nem que seja um pouquinho, faz bem para a alma. Afinal de contas, quero continuar sendo uma mulher, não apenas uma mãe.


E quanto ao controle da silhueta?

Sinceridade? Depois de ter tido filhos e chegado à idade atual, a briga está feia, mas estou me esforçando bastante! (risos)




Nesta página temos uma breve relação de cosméticos usados por Ayumi.

Com o título "E os produtos favoritos e indispensáveis à beleza de Ayumi Hamasaki são...", a lista começa com o hidratante R-Face BFT Pack fabricado pela Rhythm, empresa da qual a cantora de tornou representante de marca no ano passado. Palavras da cantora: "este aqui pode ser usado na hora do banho, mesmo se a banheira estiver cheia de brinquedos. Minha pele é muito sensível e boa parte dos produtos que usei a deixava irritada, mas este é perfeito até para a minha pele de bebê. Não consigo mais viver sem ele".

Também da Rhythm, o segundo produto é o creme corporal BODY OH!. Sobre ele, a cantora diz: "usar BODY OH! no corpo inteiro é perfeito para me livrar de toda exaustão e inchaços que tenho depois dos shows. Sem contar que o doce perfume e esta embalagem na cor pink dão um up na sua feminilidade!".

Por fim, estão o delineador e o batom da DECORTÉ. "Tanto o delineador quanto o batom trazem uma atmosfera leve e suave. Comecei a usar produtos na cor pink ultimamente, e as recomendações de pessoas satisfeitas foram tantas que acabaram me convencendo e agora estou usando (risos)".


Legenda: "Antigamente eu não queria me expor a 1 milímetro sequer da luz do sol, e hoje me levanto todos os dias às 6 da manhã. Depois que meus filhos nasceram, me tornei outra pessoa, seja na forma de pensar ou de viver."

Que tipo de mudanças o nascimento do seus filhos trouxe à sua vida?

Sem dúvida alguma, me transformei em outra pessoa. Tanto na forma de pensar quanto de viver. Porque até então, eu vivia igual ao Drácula (risos).


Como assim? Do tipo que morre quando vê o sol?

Exatamente assim. Do tipo que morreria se abrissem as cortinas. Eu não queria me expor a 1 milímetro sequer da luz do sol, por isso blindava o interior da minha casa para que nenhuma luminosidade entrasse nela. Por exemplo, eu gostava de ambientes escuros e passei mais de 20 anos da minha vida sem acender as luzes. Era só na base da luz de velas (risos). Hoje em dia, a janela tem apenas uma cortina finíssima que me permite ver claramente o momento em que o sol nasce. Nem acredito no quanto eu mudei. Até a hora do jantar, na época em que eu vivia sozinha era por volta das 11 horas da noite.


11 horas?!

Pois é, eu vivi assim durante muito tempo. Hoje, 11 horas da noite para mim já é madrugada (risos). Eu janto com os meus filhos por volta das 17 ou 18 horas. Acordo todos os dias às 6 ou 7 da manhã, e depois de tomar café com eles, eu os ajudo a vestir os uniformes da escola. Os uniformes são bonitinhos e isso é bem divertido.


O que você costuma preparar no café da manhã?

Meus filhos são crianças muito simples, do tipo que gostam do café da manhã ao estilo japonês, com arroz com gomashio [tempero à base de gergelim com sal], natô [soja fermentada] e sopa de missô. Teve uma vez em que o pessoal do staff nos levou a um restaurante e meu filho mais velho disse "quero arroz com gomashio" (risos). Já meu filho mais novo come qualquer coisa, mas anda viciado em vídeos sobre fast food no YouTube. Eu, por outro lado, quase não como carne vermelha e basicamente prefiro peixe grelhado ou sashimi. É por isso que os meus filhos, mesmo ainda tão pequenos, comem bastante peixe.


Legenda: "Seria muito bom poder chegar o mais próximo possível dos fãs e dizer 'obrigada por sempre terem me apoiado'."

Ouvi dizer que uma das motivações que levaram à realização da turnê pelas 47 províncias foram as mudanças ocorridas na sua vida pessoal.

Meus fãs envelheceram comigo. É bem provável que antigamente eles pudessem gastar seu dinheiro e seu tempo unicamente consigo mesmos, mas quando você dá início a uma família, como eu fiz, fica difícil se dedicar a si mesmo com o pouco tempo disponível. No passado, se um deles quisesse assistir a um dos meus shows, bastava pegar um trem-bala ao sair do trabalho e voltar para casa sem sequer dormir no trajeto. Mas hoje sinto que é grande o número de fãs que não podem mais fazer isso. Então a ideia por trás da turnê não foi meramente agradecer pelo apoio deles até hoje, e sim como seria bom poder ir à terra natal de cada um deles e dizer "obrigada por você sempre ter me apoiado".


Acha que estará esgotada ao fim da turnê?

Honestamente, cheguei a pensar em uma pausa para descansar um pouquinho, mas tem tantos trabalhos surgindo... (risos). E como considero isso uma coisa boa, no momento não sei dizer quando terei outro timing pra descansar.


Então pode-se dizer que você está feliz com isso?

Olha, se houver pessoas felizes com isso, eu gostaria de seguir trabalhando. E se for uma questão de precisar disso, quero poder fazer tudo que estiver dentro da minha responsabilidade.


Para terminar: qual a diferença entre a Ayumi Hamasaki que todos conhecem e a verdadeira Ayumi Hamasaki, e como você concilia as duas?

Em termos de psicológico, não acho que as duas sejam tão diferentes assim, mas já tenho consciência de que mesmo que eu não conheça uma pessoa, ela certamente vai olhar para mim e saber quem eu sou. A última coisa que eu quero é que o meu lado desleixado possa de alguma forma destruir a "Ayu" que a minha equipe teve tanto trabalho para construir, por isso sempre sou muito severa comigo mesma.


Então "Ayu é Ayu" 24 horas por dia, não é?

Acredito que sim. Eu sou uma mãe, mas ao mesmo tempo sou "Ayumi Hamasaki". Acho que sempre convivi com o estado de espírito de "Ayu" e não há nada que possa ser mudado daqui pra frente. Em relação aos fãs que apoiam "Ayu", acho que essa deve ser a melhor forma de encarar as coisas.


A matéria termina com o quadro abaixo, um resumo do que foi destaque ao longo do 25º aniversário:



– a presença de Ayumi na coletiva de imprensa que a anunciou como representante de marca da empresa de cosméticos Rhythm, bem como o lançamento do creme antienvelhecimento R-FACE;

– a bem-sucedida participação no programa de variedades Kamaigachi, apresentado pelos comediantes da dupla Kamaitachi;

– a realização de sua primeira turnê pelas 47 províncias do Japão;

– as performances nos programas musicais Music Fair e FNS Music Festival;

– e o lançamento de "Jidai" (cover de Miyuki Nakajima) e do novo single "BYE-BYE".



Nossos agradecimentos à página @AyuMiFans e à fã Aderianu (via AHS) pelos scans da revista!

julho 28, 2015

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[Tradução] Numéro TOKYO - Setembro/2015


APENAS COMO ELA É




Ayu fala sobre felicidade, fugir para Los Angeles e voltar para o Japão, Cirque de Minuit, A ONE e sixxxxxx.




Fonte: akiramezu.tumblr.com
Tradução e adaptação: Nana Aino
Para Mirrorcle World e AHBR




Sua turnê nacional Cirque de Minuit fechou as cortinas — O palco foi uma verdadeira obra de arte enquanto se desdobrava dramaticamente, verdadeiro à palavra "circo". [...] Mas o que mais marcou foram as luzes ofuscantes que ela emite. [...] Pergunto-me quanto tempo e experiência são necessários para brilhar assim? 

Apaixonar-se ou se tornar mãe — Pessoas geralmente dizem que as mulheres brilham mais forte quando experimentam ao máximo a felicidade feminina. Se felicidade é equiparada a brilho, isso significa que, para você, a felicidade está no palco?
Eu acho que sim. Em primeiro lugar, acho que minha felicidade em minha vida pessoal e minha felicidade como a artista Ayumi Hamasaki são coisas diferentes. Como artista, tenho que fazer escolhas constantemente e continuar "puxando o trem". Quero proteger minha equipe, então tenho que cuidar deles. — Nesse sentido, parte de mim deve ser forte constantemente, para representar "a figura absoluta". Felicidade é o momento que eu sinto que consegui cumprir esse papel com perfeição. Por outro lado, quando não consigo me sentir assim é muito ruim e eu quero me xingar. Em contraste, não sou eu que "puxa o trem" em minha vida pessoal. Sou diferente do meu eu profissional, de certa forma. Mas acho que é por isso que funciona.

Como você é em sua vida pessoal?
Por exemplo, eu pareço a mais nova, mesmo quando estou com pessoas mais novas do que eu. O que fazer? Quando não estou trabalhando, as pessoas me incentivam a fazer as coisas adequadamente, eu acho. Sempre foi assim. Poder ser assim na minha vida pessoal é uma forma confortável de felicidade.

Eu sei (risos). Nós brincamos diversas vezes que você parecia uma adulta durante a sessão de fotos.
Uhh, tipo "mas eu sou mesmo uma adulta?" (risos). Talvez aqueles ao meu redor naturalmente tenham essa impressão porque fico completamente relaxada e desatenta quando não estou trabalhando.

O que você pensa sobre "felicidade como mulher"?
Para ser sincera, nunca pensei nas coisas me caracterizando como mulher. Já sou muito ocupada com meu eu profissional e meu eu pessoal.

Mas você também não estava procurando por respostas morando em LA e tentando separar sua vida privada e pessoal nos últimos anos? Isso foi uma tentativa de descobrir diferentes felicidades?
Eu estive, não é? (risos) Agora me pergunto se eu estava me esforçando a toa. Eu apenas não queria ouvir "eu te avisei" apesar de já saber que isso tornava meu trabalho mais difícil e era errado. Eu apenas disse "LA é divertida" e me joguei como se fosse a melhor escolha para mim naquele momento (risos).

Você admite, huh? (risos) Há tempos em que queremos voltar atrás, mas não podemos, não é?
Eu tendo a fazer coisas nos extremos, assim é difícil mudar de direção. Tipo "já se tornou algo tão grande agora e eu disse que faria" — acontece com frequência, para ser sincera. Com seriedade eu escolho "eu sou assim, quero enfrentar as coisas dessa forma" e tomo essas decisões, mas depois me pergunto "Hum, eu estava errada?"

Todos tem coisas que não saberão, a não ser que tentem. Felicidade vem em diferentes formas para cada um e as coisas que desejamos mudam a medida que o cenário muda.
Eu sou uma pessoa do contra. Quanto mais pessoas a minha volta dizendo que eu não deveria fazer alguma coisa, mais eu me esforço pra saber se eu realmente não deveria. Eu provavelmente continuarei fazendo isso (risos). Fazer as coisas da minha maneira me fez falhar muitas vezes, mas ainda não perdi meu espírito. Se as pessoas pudessem me parar, eu já teria mudado meu jeito há muito tempo (risos).

Todas suas experiências se transformaram em músicas, certo? Seu álbum de abril, A ONE, contém muitas músicas remanescentes da antiga "viva o momento" Ayumi Hamasaki. No fim, mudanças não acontecem se não continuamos em frente com nossas próprias pernas. Paramos quando nos sentimos satisfeitos.
Eu concordo. Como dizer? Acho que ser uma escrava da música é um precedente na minha vida atual.Não posso sacrificar a música pelo meu bem pessoal, mas posso fazer o contrário.

Quando se sentiu assim pela primeira vez?
Achei que ia parar em 2 ou 3 anos depois que debutei. Não sei quando me dei conta de que não poderia mais voltar atrás.

Mas mesmo decidindo que essa é a sua vida, você ainda procurou uma forma de deixar sua vida pessoal e profissional coexistir quando se mudou para LA, não é?
Para ser sincera, é mais justo dizer que eu estava fugindo do que procurando uma forma.

Fugindo de que? De Ayumi Hamasaki?
Talvez. Senti como se estivesse tentando fugir do maior escorregão da minha vida. "Eu fiz algo terrível" — não conseguia parar de me sentir assim. E quando senti que isso ia continuar assombrando minha vida, me senti patética. Simplesmente não podia continuar no Japão. Eu sentia "nada faz sentido, não importe o que eu cante" enquanto eu escrevia músicas. Não conseguia escrever, já que havia perdido toda confiança em mim. Eu pensava "para que estou vivendo se não consigo fazer música?", estava sufocada e assustada. Acho que tudo começou quando passei a fugir dessas coisas.

Entendo.
Eu escorreguei várias vezes. Ficava triste e então me reerguia toda vez. Mas dessa vez, essa única vez, eu não conseguia me consertar. Não tinha desculpas e não podia ignorar tudo também. Acho que, de alguma forma, queria recomeçar. Achei que pudesse fugir um pouco de ser Ayumi Hamasaki que fez coisas estúpidas se saísse do Japão. Mas, no fim, percebi que as coisas não são tão simples. Comecei a viver em um lugar novo, com um novo parceiro e pude trabalhar num lugar criativamente abençoado como LA. Ganhando inspiração dessas novas coisas, consegui continuar fazendo música. Só que algo sempre parecia estar fora do lugar, então decidi voltar para o Japão para descobrir o que.

Você não podia ser verdadeiramente feliz se não fosse uma escrava da sua música, como era no Japão. Você percebeu que isso é o mais importante para você?
Isso é verdade. Acho que consegui expressar essa convicção na turnê Cirque de Minuit. A decisão "não fugirei mais daqui, ficarei aqui para sempre." Do momento em que comecei a criar o Cirque de Minuit, no Countdown Live do ano passado, eu segui em frente com o tema sem hesitar. Senti que tinha voltado a ser eu mesma, conseguia decidir tudo tão rápido. Não me sentia assim há muito tempo.

Eu ouvi que o cenário de Cirque de Minuit foi "ninguém vive no palco". Por que você escolheu esse tema?
Mesmo que você seja derrubado pelo destino, mesmo que as pessoas digam que você não pode fazer isso, mesmo que riam de você — eu queria que o palco tivesse força de afastar todas essas coisas. É por isso.

Essa mensagem também foi direcionada a você?
Sim. Acredito que meu tempo em LA me levou ao ponto de me sentir assim. Aqueles dias foram necessários para mim. Talvez começasse a odiar música se tivesse continuado no Japão daquela forma, talvez eu tivesse desistido de mim mesma.

Ela disse que queria separar a vida pessoal da profissional. Ela parece ter aproveitado a vida em LA, mas ouvimos a verdade por trás dessas palavras. — Conhecendo-a e sua carreira, não é difícil entender porque ela não conseguia dizer a verdade com clareza.

Quando você começou a turnê, houve um rumor entre os fãs de que você se aposentaria afinal, não é?
Sim. Fazendo a minha maior setlist de todas e a escolha das canções fizeram com que eles pensassem que eu decidi algo assim, eu acredito.

Também pode ser porque você sorriu com serenidade, tipo "não tenho arrependimentos se isso acabar agora", depois de cada performance.
As pessoas que assistiram a Cirque de Minuit são aquelas que não me jogaram fora quando eu estava fugindo — Quando eu voltei para o Japão, pensei "Vamos fazer tudo que eu posso agora, vamos fazer coisas que eu não posso também. Pode não funcionar, mas vou tentar mesmo assim." Não era uma questão de sobreviver nesse mundo, mas eu queria me impor como antes, para os fãs que esperaram por mim. Tive que trabalhar duro para isso acontecer. Se eu não tivesse, me sentira eternamente arrependida. Também decidi fazer minha primeira turnê para o fã clube em 12 anos, nesse outono, esperando "por favor, deixe-me ver o maior número possível de vocês" — eu estava fugindo, mas abri meus olhos. Essa é minha felicidade em minha vida atual. Não joguei fora minha felicidade pessoal, mas preencher minha felicidade como a artista Ayumi Hamasaki definitivamente pesa mais na balança. É assim que viverei a vida agora, enquanto meu corpo continuar a se mover, enquanto durar minha voz.

Você lançará o novo mini álbum sixxxxxx em setembro. Como ele se desenvolveu de A ONE, que foi considerado o retorno às suas raízes?
Acho que é ainda um jpop mais clássico que A ONE e se aproxima mais de A Song for xx. Porque, quando olhei calmamente para as letras, pensei "ainda estou procurando um lugar para pertencer, ainda estou procurando por amor, ainda acredito que há esperança em algum lugar."

A ONE também tinha partes assim, certo?
A ONE foi um pouco mais individualista. Em sixxxxxx, o "eu" x "outra pessoa" é mais forte, eu acho.

Dando uma nova olhada em si mesma e depois olhando para o exterior... algo nesse sentido?
Pode ser verdade. Talvez refazendo tudo de novo? Estou reconstruindo depois de ter uma experiência completa uma vez: querendo e perdendo coisas, falhando e aprendendo lições, selecionando o que preciso e me livrando do que não preciso. Se a felicidade de uma família típica é o símbolo de amor e felicidade que transbordam, fazer música e criar performances desde a base preenchem esses sentimentos para mim. Assim como uma mãe não encara o tempo que passa com seu filho como um sacrifício, posso sentir a felicidade da vida e o calor de outras pessoas através da música. Eu disse que sou uma escrava da música, mas é porque eu quero ser. Quero aproveitar essas coisas na minha vida, sinceramente.

Ela faz o seu papel e preenche sua vida como a artista Ayumi Hamasaki. Essa determinação é a grande fonte de seu brilhantismo. Os novos passos de agora em diante, pintarão seu passado fugitivo, certamente o ofuscando.

maio 14, 2014

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Ayu - História da Infância

(As legendas das fotos foram traduzidas de cima para baixo, da direita para a esquerda)


Quando era bebê:

Um pouco depois das 19:00, em 02 de outubro de 1978, no Hospital Universitário de Fukuoka, Ayumi nasceu. Ela pesava 2,78kg e era chamada de "bebê com o rosto negro." Daquele momento em diante, a própria Ayumi nos guiou pelos estágios de sua vida.

Uma pequena estrela que saiu de suas fraldas e começou a falar cedo:
Eu era muito pequena quando nasci, tanto que tive que ser colocada naquilo - como vocês chamam aquilo? A coisa que parece uma rede. Ah, a incubadora? (risos) Eu tive que ser colocada lá.

"O parto em si foi fácil. Ela saiu quase imediatamente quando as contrações começaram, porque era muito pequena. (risos)" — Mãe.

O nome Ayumi foi dado pela vovó. Era para ser como um desejo para mim, "para andar em frente, um passo de cada vez!"... Mas enfim, eu não acho que tenha sido a criança que ela desejava que eu fosse. (risos)

Eu não estava realmente tentando, mas sai das fraldas bem nova. Aprendi a falar bem cedo também, então era realmente uma pupila, até o jardim de infância.

"Ela não foi uma criança que deu trabalho. Embora uma vez eu tenha acordado e a encontrei brincando com seu próprio cocô... Todos os adultos presentes no dia riem da Ayumi até a hoje por causa desse incidente. (risos)" — Mãe.

Ei, mamãe não deveria ter falado isso. (bico)

Eu era como um menininho naquela época, não importa onde eu ia, as pessoas perguntavam "quantos anos você tem, menininho?" E porque eu nunca era chamada de filha, menininha, lembro-me de usar o termo "boku*" para falar sobre mim mesma.

*Boku (僕): forma masculina de dizer "eu" em japonês.

Legenda das fotos:

"Eu estava bem chique aí, mas realmente não me lembro disso agora. (risos) Provavelmente eu tinha 2 anos." Em Akiyoshidai, Yamaguchi

"Isso não se parece comigo de alguma forma. Esse bebê tem apenas uma pálpebra. Oh, bem, acho que ainda não tinha me tornado humana. (risos)"

1 ano. "Acho que isso foi tirado no parque de diversões Greenland, na minha cidade natal. Provavelmente fui com meus primos Ya-chan e Kiku-chan. Provavelmente."

"Isso foi em Greenland também. Essa é minha vó na esquerda e minha mãe na direita. Eu brinquei tanto, dirigindo por aí no meu carrinho." 2 anos, como um menininho.


Jardim de infância e fundamental:

Uma criança solitária* nessa época, especialmente durante o ensino fundamental, ela era uma criança sombria... conhecida por ser tímida, reservada e envergonhada. No meio disso ela teve seu primeiro amor. Uma fofura inesperadamente reconfortante, passamos a ver um pouco da Ayumi que ninguém conhecia.

*O termo usado foi "latchkey", que significa uma criança que volta da escola para um lar vazio, porque seus pais estão sempre fora trabalhando.

Uma infância solitária. Sua rival: A TV?

Ayumi era realmente uma criança fria e quieta. Eu não construi castelos de areia com meus amigos na areia? Mesmo nessas situações eu só ficava de lado, observando pensando "o que é tão legal nisso?" E por amar lugares altos, costumava subir em árvores e ficava lá, sonhando acordada sozinha.

Porque minha mãe estava sempre trabalhando, ela não tinha muito tempo para ficar comigo. Então, quando ela via tv e ria de algo que estava sendo mostrado, eu realmente ficava com ciúmes. Então, para não perder, sentava na minha cadeira perto da tv e, de repente, me levantava e começa a atuar. (risos)

O Centro de Cuidados Diários desprezível. Excelente com instrumentos como xilofone e também atuando.

Eu fui à um centro chamado Violet Daycare Centre, mas odiava lá. Eu não era boa correndo, odiava a comida e não falava com ninguém além da minha boa amiga Yuuko.

Contudo, por alguma razão eu gostava dos instrumentos. E quando você gosta de algo, pratica com tudo que pode e depois fica bom nisso, certo? E os elogios da professora me deixavam ainda mais feliz... Eu fui até escolhida para tocar um solo de xilofone em uma festa de Natal.

"São aquelas duas de novo!" Famosa na vizinhança?:

Eu fiz muitas coisas ruins com Yuuko. Nós arrancamos todas as flores que mamãe e vovó plantaram no jardim e fizemos tanto barulho quando invadimos o jardim do vizinho para pegar girinos, que fomos perseguidas por ele. Contudo, fazer essas coisas me faziam sentir feliz. Acho que era mesmo uma criança solitária.

As verdadeiras palavras da mãe:

Ela era muito tímida e reservada. Ao invés de brincar com os amigos, escolhia tocar piano em casa, ou desenhar ou escrever cartas... Ela era muito introvertida. (risos)

Um incidente que sempre lembrarei é que ela tinha um projeto de artes para o verão. Ayumi fez um trabalho tão bonito, que era tão bonito que a professora perguntou onde ela tinha comprado e ela foi incapaz de dizer que ela mesma tinha feito. Quando fui buscá-la, ela estava chorando e se recusava a falar qual era o problema. Eu só soube o que aconteceu quando liguei para sua amiga.

Ela também assistia o anime Anne of Green Gables e me disse que queria uma criança como Anne. Naquela época, também decidiu que queria ser modelo e porque as modelos tinham que socializar com muitas pessoas, pouco a pouco ela passou a ser mais extrovertida.

Legendas das fotos:

"Isso parece um parque, eu acho... Talvez por isso estivesse com essa expressão." Aos 4 anos.

Uma menina feliz em uma festa de Natal. "Eu performei em um grande auditório primeiro, depois fiz a segunda performance no centro e cuidados diários."

"Isso foi na festa de Natal também. Tínhamos que falar alguma coisa, então passar o microfone e a vela para a próxima criança, mas eu não queria. (risos)" Em Violet Daycare Centre.


Memórias de um primeiro amor reconfortante de uma garota sombria e reservada:

Uma personalidade super reservada... E um triste incidente no recital.
Quando eu estava no ensino fundamental, era mesmo uma garota muito reservada. Nunca tinha levantado minha mão na classe e mesmo quando a professora chamava meu nome, ficava toda vermelha e abaixava minha cabeça, incapaz de falar, mesmo que eu soubesse a resposta.

Tínhamos um recital de música uma vez e de acordo com o sistema de revezamento da minha sala, era minha vez de ser a presidente. Naquela época eu fiquei tipo "Não posso! Nunca falei em público antes, só posso ler do script e mesmo assim minha voz não sai... " Eu costumava ser assim. (risos)

O dia que ela saiu do topo do Jungle Gym*:

*Jungle Gym é um brinquedo daqueles que ficam em parquinhos, que tem uma casinha, escorregador, trepa-trepa e afins.

Eu fiquei com tantos hematomas por causa daquele brinquedo. É difícil escolher um incidente específico para contar... Teve uma vez que estava no topo do brinquedo e precisava ir ao banheiro, mas senti que não valia a pena ir, porque tinha gastado tanta energia para subir lá. Então, quando já não aguentava mais pensei "ok, vou descer", dei um passo para fora e... caí no chão com tudo! Ainda assim eu consegui chegar até o banheiro e só depois que terminei o que queria fazer lá que senti a dor. Fui mandada para o hospital e além dos hematomas, também quebrei algo em minha perna. (risos)

Primeiro amor por N-kun começou nos balanços:

Um dia, na 3ª série, estava nos balanços quando alguém veio até mim e mandou eu sair. Ele era tão grande e grosso e parecia estar tão bravo, meu único pensamento foi "Nossa, esse menino é assustador!" e esse era N-kun.

Eu fiquei muito irritada aquele dia, mas logo em seguida comecei a gostar dele e isso durou por muuuuito tempo. A família de N-kun era de eletricistas e sempre que ficávamos sem bateria em casa, eu pegava minha bicicleta e ia para a casa dele comprar outras, mesmo ele morando realmente longe. ♡ (risos) Então, uma vez quando eu estava fora, N-kun foi à minha casa e me deixou um relógio com formato de peixe* de presente...

*Ayu é um tipo de peixe em japonês.

Legenda das fotos:

1ª série. Tocando Ballade Pour Adeline, de Richard Clayderman no recital de piano. "Eu cometi um erro no começo e fiquei um pouco aturdida. (risos)"

(Não traduzida)

"Foi tirada no mesmo dia da foto da 1ª série. Era hora da refeição... Tivemos mesmo um banquete. (risos)" Ela amava colocar geléia na comida.

Tirada durante a primeira noite de uma viagem escolar. "A segunda da esquerda, na fila de trás, é Ayumi. À minha direita é a famosa Yuuko. (risos) A segunda da direita da fila da frente é nossa vizinha Mai-chan."

"Eu acho que foi na 4ª série, quando fomos à uma excursão de história natural." Ela continua praticamente a mesma desde então?

"Essa não foi tirada no mesmo parque da página anterior? Eu me lembro que estávamos fazendo um churrasco ao ar livre lá." Na 2ª série, quando ela ainda era introvertida.


Grande trasformação na 7ª série: Seu primeiro encontro: um encontro duplo.

Então, fomos assistir O Guarda Costas juntos... junto com Yuuko e o menino por quem tinha interesse. Um encontro duplo? Mas no fim, acabou sendo dois meninos saindo juntos e duas meninas saindo juntas. (risos)

Quando eu tive que ir para Tokyo, não o contei, mas como é uma cidade pequena, as novidades voam e ele veio me perguntar se eu estava mesmo indo... Eu o deixei sozinho em Fukuoka no fim. Mas eu quase quis abrir mão de Tokyo por ele. (risos)

Lágrimas no aeroporto de Fukuoka. Fukuoka fica menor...

Eu vim para Tokyo na 8ª série, para Twins Teacher. Até então, nunca tinha tido uma boa impressão de Tokyo ou do mundo de entertenimento. Mas quando estava filmando Twins Teacher, conheci pessoas realmente inocentes, bem como algumas bem ambiciosas.

Eu não tinha muita paixão por modelar até então, sentia que era muita campanha publicitária. Eu queria conhecer muitas outras pessoas assim em Tokyo.

Então, fui apresentada para entrar na Sun Music... mas chorei quando sai de lá. Todos do grupo estavam lá por mim, mas porque havia repórteres da minha cidade natal também, eu entrei em pânico.

Olhando para o telefone cinza, nós pensamos "Ei, o que é isso?" "É um telefone internacional?" "Devemos usá-lo para ligar para casa?" Estávamos sempre animados assim, mas quando era hora de dizer "Vejo você amanhã!", Minazou de repente começou a chorar. Isso fez com que todos, inclusive eu, chorassem muito também.

Eu chorei no avião também. Pensei comigo mesma "Olhe, Fukuoka está ficando menor." e isso foi tão triste e doloroso. Mas quando o avião chegou perto de Tokyo, a esperança pareceu ficar maior. Eu disse a mim mesma para trabalhar duro desde então.

Legenda das fotos:

"7ª série, com Piggy Ree na sala de casa." Um cachorro branco, seu verdadeiro nome é Ree. Confiram a página 24 para saberem o significado desse nome.

Foto promocional de sua agência de modelo em Fukuoka. "Eu estava na 8ª série. Tão 'pura'."

9ª série. "Fomos esquiar durante uma viagem escolar. Não consigo me lembrar o lugar... (risos)" Contudo, podemos ver o nome do lugar em suas camisetas.

Festival de Esportes da 8ª série. Uma garota com 8 garotos. Ela era mesmo uma rainha... "Nós éramos um time de líderes de torcida, isso é tudo. Os grupos 3-6 só tinham meninos."

8ª série, tirada em Tokyo, quando fez a audição para Twins Teacher. "Me falaram que minha saia era muito longa, foi um grande choque cultural. (risos)"

Seu visual durante a época de modelo. Um casaco rosa com luvas azuis causam um verdadeiro impacto. "Essa minha pose continua sendo copiada por pessoas que se passam por ayu! (risos)"

Tradução e adaptação: Marina Aino
Fonte: Letters from ayu